UM PEDIDO DE AJUDA.
Por Sidnei Silva – Psicólogo – Dezembro de
2019.
Como vocês já ouviram, leram, por ai nos jornais, assistiram na TV, varias noticias sobre a prevenção da depressão, com a finalidade de trazer ciência e
informação, afim de provocar as pessoas o pensar e o refletir, sobre o que
realmente é a depressão e o suicídio, ensinar a identificar e entender como prevenir, e as
pessoas que tem o pensamento suicida compreender que elas não estão sozinhas e
que se esticarem os braços na direção certa, sempre terá alguém para acolher e
entender o que está passando.
Primeiro, antes de tudo, vamos entender uma coisa de uma vez por todas, depressivo, não é adjetivo para alguém com pensamentos suicida, quem tem depressão, não necessariamente vai cometer suicídio, em certo nível da doença a pessoa pode ter pensamentos suicidas, mas não significa que ira atentar pela própria vida.
Em segundo lugar, o maior dano do suicídio não é a morte propriamente dita, são os danos das tentativas de suicídio mal sucedidas, que acabam em algum acidente traumático, ou que podem deixar serias sequelas no suicida bem piores que a morte, desde adquirir algum dano cerebral cognitivo, traumas na coluna e até mesmo pessoas ficando paraliticas em cadeiras de rodas, ou paraplégicas, inválidas para o resto da vida, presas a uma cama em casa ou no hospital.
Não é fácil pra ninguém!
É certo dizer e compreender que as vezes as
famílias são difíceis, desentendimentos, brigas, confusões, alguns lares são território conflituosos, milhares vivem de outros vivem uma zona de guerra diária, nem todos
entendem a dinâmicas das diferenças de idéias e opiniões, ainda mais de pessoas com sintomas depressivos. O depressivo muitas vezes se torna intragável, difícil de conviver, mas as pessoas precisam entender que as atitudes não é algo pessoal, é a dinâmica da doença, e no caso do suicida é pior pois os sinais são sutis, quando presente na verdadeira intenção de quem quer atentar contra própria vida.
É preciso entender que o suicida não é um covarde ou não lhe falta Deus no coração, é
mais uma questão de que a pessoa está tão submersa no mar angustiante de sofrimento
emocional, que não consegue enxergar o mundo de uma outra perspectiva, senão a pela
dor e pelo sofrimento interno que sufoca e pressiona e causa dor.
O senso comum e as crenças
leigas pioram a situação e é por isso que precisamos abrir o coração e começar
a entender de verdade que as patologias da mente são tão desastrosas e perigosas quanto as
do corpo (doenças físicas na sua maioria apresenta sintomas visíveis no corpo, infecção, febre, dores) agora o transtorno mental quase sempre os sintomas são confusos e as vezes tão inconstantes que são negligenciados, e nem sempre a vontade consegue vencer transtorno sem uma certa ajuda externa.
Então é preciso entender, vou repetir pra vocês degustarem, "nem todo depressivo é um suicida, apesar da tristeza
profunda na depressão mais grave, causar pensamentos suicida, portanto, não é todo
indivíduo acometido por sintomas depressivos ou mesmo pela doença depressão ser passível de
suicídio, senão não haveria depressivos no mundo.".
O psiquiatra vienense Viktor Frankl (1905-1997)
cita - “O sofrimento deixa de ser
sofrimento quando ganha sentido” por que segundo ele, quando damos sentido
ao sofrimento nos os tornamos suportável, estamos à mercê dos ambientes e dos
acontecimentos a nossa volta, e temos duas forças em nosso interior que nos
permite suportar e superar as situações dolorosas, a decisão e a liberdade de
agir em relação a nossa própria vontade, e portanto somos nós mesmos que
determinamos como nos deixaremos influenciar pelos acontecimentos, - “O sentido é algo que precisa ser descoberto
e não inventado”.
Ainda citando Frankl; - nós encontramos sentido
na vida, quando aprendemos a ver outros caminhos contrários a dor apenas, e sobretudo
nos sentimentos bons, como no “amor” por exemplo, exercendo a criatividade para
influenciar novos pensamentos com maior poder de construção de alicerces mais firmes
em nosso interior, escolhendo novas formas de enxergar os fatos.
Todas as experiências precisam ser aceitas
igualmente, repelir ou negar os fatos desagradáveis ou desconfortáveis, não é o
caminho, devemos aceitar a existência em nós dos sentimentos negativos e não
apenas nega-los e reprimi-los, é preciso tentar transforma-los, muda-los para
outro contexto melhor e mais construtivo, segundo o psicólogo existencialista
Rollo May (1909-1994). - “ninguém se torna completamente humano sem
passar por alguma dor”, pois tendemos a guardar e a focar apenas em fatos
que nos façam sentir confortáveis e com isso a tendência é negar, evitar e
problematizar demais as ocorrências que por sua vez venha nos causar
desconforto e acabamos nós fechando e não aprendemos muita coisa com o
acontecimento, e até mesmo alguns cria algum tipo de trauma e passa a evitar
qualquer acontecimento a partir de semelhanças com a experiência vivida. Nos
todos tendemos como impulso procurar apenas comodidade, prazer e conforto
emocional, sentindo que só assim podemos alcançar algum nível de saúde e ou felicidade,
mas na verdade alcançar saúde é justamente encarar os fatos ruins e
desagradáveis e no fim aprender a conviver, suportar e superar a existência
dessa dor.
Os sentimentos de angustia e tristeza dentro de
nós, não são questões patológicas a serem “consertadas” nos consultórios de
psicologia ou de psiquiatria, são elementos essenciais da natureza do ser
humano, são importantes para construir a personalidade do indivíduo, em seu
desenvolvimento, ou reaprender a descobrir o sentido das coisas na fase adulta,
faz parte da natureza de todos nós, as dores, assim como também; a alegria e o
medo que sentimos, que só passam a ser problemas e causar confusão, quando
ultrapassam os limites do que é natural, e começam a trazer prejuízos a pessoa
ou a aos outros que convive com ela.
FALANDO DE SUICÍDIO.
O suicídio já é a terceira maior causa de morte
de pessoas entre 15 e 45 anos, depois dos sinistros do trânsito ficando aí
emparelhado com a perda de vidas para a violência e guerrilhas urbanas.
“Toda morte é uma tragédia para os amigos, para
a família, e aos colegas. Ainda assim, suicídios são preveníveis. Nós pedimos
que todos os países incorporem de forma sustentável estratégias eficazes de
prevenção de suicídio nos programas de nacionais de educação e saúde. ”,
segundo os dizeres de Tedros Adhanom Ghebreyesus, diretor-geral da OMS
(Organização Mundial da Saúde).
Ainda segundo dados da OMS; em números
absolutos, a maioria dos suicídios ocorre em países de baixa e média renda, mas
os países de alta renda têm a maior taxa de suicídio (11,5 por 100.000
habitantes). A maior taxa de mortalidade se encontra na faixa entre os 15 até
os 24 anos, diminuindo a incidência até os 45 anos. Acima dessa idade a
porcentagem do número de suicídio se torna menor.
Em muitos países é comum ter linhas de
prevenção de suicídio ouvindo essas pessoas que consideram a terrível alternativa
como único meio para se livrar das angustias que entulham todos os seus dias, um
canal que possam se abrir com alguém e falar abertamente sobre seus medos,
anseios e os problemas que as levaram a escolher esse caminho sem volta. No
Brasil, este trabalho é realizado pelo Centro de Valorização da Vida (CVV) –
uma associação civil sem fins lucrativos que trabalha com o acolhimento de
pessoas em momentos de crise afim de criar uma barreira de prevenção ao
suicídio.
Para quem não conhece o trabalho visa facilitar
o atendimento e salvar vidas, as ligações de prevenção de suicídio realizadas
para o CVV através do número 188 são gratuitas para todo o Brasil. A
assistência, oferecida por voluntários, visa a dar apoio emocional para quem
quer e precisar conversar. Apesar de não terem formação em psicologia (não é
uma exigência), eles recebem treinamento adequado. A discrição é a principal
regra, e também faz parte do serviço, portanto, todas as ligações são
sigilosas.
Ainda
citando os dados da OMS, os números oficiais são de 2016, e são também
semelhantes aos da registrado pela ONU, mas nos dá um parâmetro para uma
reflexão, aqui no Brasil, foram registrados 13.467 casos de
suicídio, segundo dados oficiais das Organização das Nações Unidas e da OMS. A região do Mediterrâneo Oriental tem a taxa mais baixa de
suicídio em relação a outras regiões do Mediterrâneo. A
grande maioria de indivíduos que cometem suicídio (10.203), se encontra entre o
gênero masculino e essa a tendência se repete em nível mundial. A África,
Europa e Sudeste Asiático têm taxas de suicídio acima da média mundial de 10,5
por 100.000 habitantes segundo os números publicados.
A taxa
de homens que tiram a própria vida é quase o dobro em relação aos gênero
feminino, são: 13,7% por 100.000 indivíduos homens contra 7,5% por 100.000 mulheres,
os únicos países onde a incidência de mortes de mulheres por motivo de suicídio
é maior que o de homens, estão situados na faixa do Mediterrâneo que apesar de
ter a incidência mais baixa de números de suicídio em toda a Ásia, porém amarga
a maior taxa de suicídios entre as mulheres no pais, na faixa de números se
encontra o Marrocos, Oriente Médio, e no Oriente, precisamente em lugares como
China, Índia, Bangladesh, onde a taxa de mortes de mulheres, por diversos
motivos é ainda muito grande em relação aos homens comparado com o resto do
mundo.
Na
Europa em função das fortes campanhas de prevenção e ação dos órgãos sociais e
de saúde que se mobilizaram ativamente nesses últimos 5 anos entre os países da
União Europeia, felizmente teve resultados e tem se observado uma queda no
número de morte causada por suicídio, e as taxas porcentuais de ocorrência tem
caído consideravelmente nos últimos anos. O que não vemos nas Américas que
tristemente vem seguindo um caminho inverso, pois tem-se observado um aumento
de 6% nos casos nos últimos 4 anos.
Como disse o filósofo grego, Epiteto (80 d.C.)
- “Não são os acontecimentos que perturba o ser humano, mas sim como estes os
enxergam. ”, não são os fatos e as experiências em si que causam as reações
emocionais traumáticas ou perturbadoras, cada indivíduo as vê de uma certa
forma particular, devido a sua personalidade e constituição intima emocional,
as reações emocionais vem de acordo com as convicções pessoais, segundo o
Psicanalista e Dr. Albert Ellis (1913-2007) de acordo com ele, as convicções
racionais produzem resultados emocionais saudáveis, nos anos 60 outro
pesquisador Aaron Beck afirmou algo semelhante, Beck declara que a depressão é
causada por opiniões fantasiosas e negativa sobre os fatos préconceituando-os e
problematizando e tornando-os obstáculos antes mesmo de analisa-los
racionalmente.
Mas as pessoas geralmente não entendem dinâmica
do depressivo, criticam, aconselham arrogantemente, humilham e distorcem seus
sentimentos deixando-os de lado ou rotulando como - “caso perdido”, não
entendem, são apáticos em relação a dor do outro até que se tornem a delas
próprias. E citando Beck (1960) - portanto corrigindo as crenças equivocadas,
podemos minimizar as reações exageradas.
Existem várias questões envolvendo o
desenvolvimento ou agravo da depressão como doença ou como um sintoma grave de
uma doença primaria, e um deles é o Bullying, esse fato comportamental desagradável
e agressivo, piora toda a situação de alguém com problemas dentro do círculo da
depressão, pois o jovem na escola ou o colega do emprego, todos, sejam adultos
ou jovens nessas condições, sofrem as dores emocionais internas e a intensa
sensação angustiante de se sentir inútil, desvalorizado, se acha um problema
para todo mundo, é triste e sem esperança, considera-se indigno de ter amigos, sente-se
frustrado o tempo todo por não ter poder para superar tudo isso, e ainda por
cima tem que lidar com os abusos, chacotas, e torturas de pessoas desagradáveis
sem noção racional de limites ou dos prejuízos que podem causar ou são
desagradáveis o suficiente para não se importar e com isso sentir prazer em
fazer sofrer, nem é preciso dizer que também a possibilidade desse indivíduo
ser portador de uma doença psicológica é
bem grande.
Então se nos adultos já causa uma desmotivação e um sofrimento emocional, trazendo danos ao psicológico, com os jovens fica ainda pior, por que existe a existência
da imaturidade, e como é um indivíduo em desenvolvimento, a falta de
racionalidade sadia e a maturidade biológica o torna aberto em desenvolver transtornos psicológicos diversos, no caso, serão produto de fatos negativos e traumáticos. A maioria dos jovens são impulsivos
e inclinados a ceder apenas ao prazer emocional, além de serem propícios a
irracionalidade e falta de bom senso, de si próprio e a complacência e
indulgencia dos responsáveis que deviam por limites a ações impróprias, mas por
ignorância ou negligência, permite tais atitudes negativas, e prolifera-se a incidência
de agressões físicas, humilhações públicas, e torturas diárias, e vai além em alguns
casos, a violência se estende até em casa, no seio familiar, ande deveria ser
um porto seguro, é só mais um outro lugar de dor e sofrimento, e sabemos que a
violência familiar é uma realidade frustrante e difícil de erradicar, que
atinge tanto a classe baixa quanto a média e alta, com maior incidência entre a
faixa de baixa renda da sociedade.
Esse quadro projetivo culmina no desenvolvimento
de serias complicação no estado mental da vítima. Pois existem duas saídas com
consequências avassaladoras para a vítima de Bullying que é levada ao extremo
do seu emocional, o indivíduo é acometido por estresse e extrema pressão, o
mesmo é envolvido então por delírios e se perde dentro de seus pensamentos distorcidos
e acelerados, contempla esses delírios e os recebe como verdadeiros e reais, e como
resultado desse barril de pólvora o indivíduo explode (metaforicamente
falando), causando então um turbilhão de danos e duas vertentes de ações, o se
machuca e termina sua vida ou em outro cenário mais trágico ainda ele atenta
contra a vida de outros causando a morte de inocentes.
Iniciando-se em um tipo de tristeza patológica,
para um depressivo os pensamentos e as crenças limitantes ser tornaram hábito, e
isso vai evoluindo chegando ao seu extremo, o indivíduo perde seu senso de realidade,
de reflexão e racionalidade, o que lhe tinha tanta graça e era prazeroso antes,
agora não tem mais sentido, a vida perde o brilho, a graça e a cor, nada mais
importa, no seu entendimento deformado da realidade a sua volta. E as pessoas
para ele não se importam (mesmo quando se importam), não existe ninguém que pode
ajudar (mesmo que saibam que existe), o indivíduo não quer saber de ajuda pois
estes se sentem tão desmerecidos dessa ajuda mas que não conseguem aceitar, ou fantasiam
que as pessoas são interesseiras e não querem ajudar se não ganharem alguma
coisa, enfim são tantos pensamentos distorcidos e fantasias que o sujeito se
fecha mais ainda em sua concha e se isola, então a dor emocional é intensa,
precisa acabar com ela e o único modo é matar a dor, acabar com tudo, então
procuram uma forma de sair do mundo e fugir de tudo isso, para essa pessoa
enfrentar e aprender a conviver com a dor não é um caminho possível. As causas
são diversas, vão desde doenças mentais e físicas como os diversos tipos de Câncer
principalmente, tanto quando são terminais, quanto os que estão em tratamento
(o que é dolorido, as quimioterapias causam desconforto e debilidades
cognitivas e físicas) também com relação as deformidades congênitas, ou p.
exp., doenças como a Aids, e outra doenças degenerativas e debilitantes, e
outras formas de depressão e tristeza patológica, e causas químicas, como a
dependência compulsiva ao consumo de drogas por exemplo, o álcool
principalmente (por conter em sua composição elemento químicos que deprime o
sistema nervoso).
Outros casos psicológicos ligados a sentimentos
se tornam estressantes são: sentimento de extremo abandono, indiferenças,
exílio, medo extremo sem causas aparente e justificada, dependências afetivas,
términos de relacionamentos e vítimas de violência física intensas e
recorrentes.
BIBLIOGRAFIA UTILIZADA:
BECKER,
Daniel. O que é adolescência. São
Paulo: Brasiliense, 2003.
CUKIER,
Rosa. Psicodrama Bipessoal: Sua técnica,
seu terapeuta, seu paciente. Editora: Agora. Ed.4ª. São Paulo, 1992.
DALGALARRONDO, Paulo. PSICOPATOLOGIA E SEMIOLOGIA DOS TRANSTORNOS
MENTAIS. 2ª ed. ArtMed. Porto Alegre, 2008.
FRANKL, Viktor E. Em busca de sentido. Editora: Vozes.
Ed.42ª. Petrópolis - Rio de Janeiro - 2008.
ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DE SAÚDE. Classificação de Transtornos Mentais e de Comportamento da CID-10: Descrições Clínicas e Diretrizes Diagnósticas –Coord. Organização Mundial da Saúde. Porto Alegre: Artes Médicas, 1997
PINHEIRO,
Ângela F. Santiago. Técnicas e Dinâmicas
de Trabalho em grupo. Editora: Montes Claros – Instituto Federal Norte de
Minas. Minas Gerais, 2014.
ROGERS,
Carl. Tornar-se pessoa. Editora: Martins
Fontes; Ed.6ª. São Paulo – 2009.
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