quarta-feira, 4 de dezembro de 2019


UM PEDIDO DE AJUDA.
Por Sidnei Silva – Psicólogo – Dezembro de 2019.

Como vocês já ouviram, leram, por ai nos jornais, assistiram na TV, varias noticias sobre a prevenção da depressão, com a finalidade de trazer ciência e informação, afim de provocar as pessoas o pensar e o refletir, sobre o que realmente é a depressão e o suicídio, ensinar a identificar e entender como prevenir, e as pessoas que tem o pensamento suicida compreender que elas não estão sozinhas e que se esticarem os braços na direção certa, sempre terá alguém para acolher e entender o que está passando.
Primeiro, antes de tudo, vamos entender uma coisa de uma vez por todas, depressivo, não é adjetivo para alguém com pensamentos suicida, quem tem depressão, não necessariamente vai cometer suicídio, em certo nível da doença a pessoa pode ter pensamentos suicidas, mas não significa que ira atentar pela própria vida.
Em segundo lugar, o maior dano do suicídio não é a morte propriamente dita, são os danos  das tentativas de suicídio mal sucedidas, que acabam em algum acidente traumático, ou que podem deixar serias sequelas no suicida bem piores que a morte, desde adquirir algum dano cerebral cognitivo, traumas na coluna e até mesmo pessoas ficando paraliticas em cadeiras de rodas, ou paraplégicas, inválidas para o resto da vida, presas a uma cama em casa ou no hospital.

Não é fácil pra ninguém!  
É certo dizer e compreender que as vezes as famílias são difíceis, desentendimentos, brigas, confusões, alguns lares são território conflituosos, milhares vivem de outros vivem uma zona de guerra diária, nem todos entendem a dinâmicas das diferenças de idéias e opiniões, ainda mais de pessoas com sintomas depressivos. O depressivo muitas vezes se torna intragável, difícil de conviver, mas as pessoas precisam entender que as atitudes não é algo pessoal, é a dinâmica da doença, e no caso do suicida é pior pois os sinais são sutis, quando presente na verdadeira intenção de quem quer atentar contra própria vida.
É preciso entender que o suicida não é um covarde ou não lhe falta Deus no coração, é mais uma questão de que a pessoa está tão submersa no mar angustiante de sofrimento emocional, que não consegue enxergar o mundo de uma outra perspectiva, senão a pela dor e pelo sofrimento interno que sufoca e pressiona e causa dor. 
O senso comum e as crenças leigas pioram a situação e é por isso que precisamos abrir o coração e começar a entender de verdade que as patologias da mente são tão desastrosas e perigosas quanto as do corpo (doenças físicas na sua maioria apresenta sintomas visíveis no corpo, infecção, febre, dores) agora o transtorno mental quase sempre os sintomas são confusos e as vezes tão inconstantes que são negligenciados, e nem sempre a vontade consegue vencer transtorno sem uma certa ajuda externa. 
Então é preciso entender, vou repetir pra vocês degustarem, "nem todo depressivo é um suicida, apesar da tristeza profunda na depressão mais grave, causar pensamentos suicida, portanto, não é todo indivíduo acometido por sintomas depressivos ou mesmo pela doença depressão ser passível de suicídio, senão não haveria depressivos no mundo.".
O psiquiatra vienense Viktor Frankl (1905-1997) cita - “O sofrimento deixa de ser sofrimento quando ganha sentido” por que segundo ele, quando damos sentido ao sofrimento nos os tornamos suportável, estamos à mercê dos ambientes e dos acontecimentos a nossa volta, e temos duas forças em nosso interior que nos permite suportar e superar as situações dolorosas, a decisão e a liberdade de agir em relação a nossa própria vontade, e portanto somos nós mesmos que determinamos como nos deixaremos influenciar pelos acontecimentos, - “O sentido é algo que precisa ser descoberto e não inventado”.
Ainda citando Frankl; - nós encontramos sentido na vida, quando aprendemos a ver outros caminhos contrários a dor apenas, e sobretudo nos sentimentos bons, como no “amor” por exemplo, exercendo a criatividade para influenciar novos pensamentos com maior poder de construção de alicerces mais firmes em nosso interior, escolhendo novas formas de enxergar os fatos.
Todas as experiências precisam ser aceitas igualmente, repelir ou negar os fatos desagradáveis ou desconfortáveis, não é o caminho, devemos aceitar a existência em nós dos sentimentos negativos e não apenas nega-los e reprimi-los, é preciso tentar transforma-los, muda-los para outro contexto melhor e mais construtivo, segundo o psicólogo existencialista Rollo May (1909-1994). -  “ninguém se torna completamente humano sem passar por alguma dor”, pois tendemos a guardar e a focar apenas em fatos que nos façam sentir confortáveis e com isso a tendência é negar, evitar e problematizar demais as ocorrências que por sua vez venha nos causar desconforto e acabamos nós fechando e não aprendemos muita coisa com o acontecimento, e até mesmo alguns cria algum tipo de trauma e passa a evitar qualquer acontecimento a partir de semelhanças com a experiência vivida. Nos todos tendemos como impulso procurar apenas comodidade, prazer e conforto emocional, sentindo que só assim podemos alcançar algum nível de saúde e ou felicidade, mas na verdade alcançar saúde é justamente encarar os fatos ruins e desagradáveis e no fim aprender a conviver, suportar e superar a existência dessa dor. 
Os sentimentos de angustia e tristeza dentro de nós, não são questões patológicas a serem “consertadas” nos consultórios de psicologia ou de psiquiatria, são elementos essenciais da natureza do ser humano, são importantes para construir a personalidade do indivíduo, em seu desenvolvimento, ou reaprender a descobrir o sentido das coisas na fase adulta, faz parte da natureza de todos nós, as dores, assim como também; a alegria e o medo que sentimos, que só passam a ser problemas e causar confusão, quando ultrapassam os limites do que é natural, e começam a trazer prejuízos a pessoa ou a aos outros que convive com ela.  

FALANDO DE SUICÍDIO.
O suicídio já é a terceira maior causa de morte de pessoas entre 15 e 45 anos, depois dos sinistros do trânsito ficando aí emparelhado com a perda de vidas para a violência e guerrilhas urbanas.
“Toda morte é uma tragédia para os amigos, para a família, e aos colegas. Ainda assim, suicídios são preveníveis. Nós pedimos que todos os países incorporem de forma sustentável estratégias eficazes de prevenção de suicídio nos programas de nacionais de educação e saúde. ”, segundo os dizeres de Tedros Adhanom Ghebreyesus, diretor-geral da OMS (Organização Mundial da Saúde).
Ainda segundo dados da OMS; em números absolutos, a maioria dos suicídios ocorre em países de baixa e média renda, mas os países de alta renda têm a maior taxa de suicídio (11,5 por 100.000 habitantes). A maior taxa de mortalidade se encontra na faixa entre os 15 até os 24 anos, diminuindo a incidência até os 45 anos. Acima dessa idade a porcentagem do número de suicídio se torna menor.
Em muitos países é comum ter linhas de prevenção de suicídio ouvindo essas pessoas que consideram a terrível alternativa como único meio para se livrar das angustias que entulham todos os seus dias, um canal que possam se abrir com alguém e falar abertamente sobre seus medos, anseios e os problemas que as levaram a escolher esse caminho sem volta. No Brasil, este trabalho é realizado pelo Centro de Valorização da Vida (CVV) – uma associação civil sem fins lucrativos que trabalha com o acolhimento de pessoas em momentos de crise afim de criar uma barreira de prevenção ao suicídio.
Para quem não conhece o trabalho visa facilitar o atendimento e salvar vidas, as ligações de prevenção de suicídio realizadas para o CVV através do número 188 são gratuitas para todo o Brasil. A assistência, oferecida por voluntários, visa a dar apoio emocional para quem quer e precisar conversar. Apesar de não terem formação em psicologia (não é uma exigência), eles recebem treinamento adequado. A discrição é a principal regra, e também faz parte do serviço, portanto, todas as ligações são sigilosas.
Ainda citando os dados da OMS, os números oficiais são de 2016, e são também semelhantes aos da registrado pela ONU, mas nos dá um parâmetro para uma reflexão, aqui no Brasil, foram registrados 13.467 casos de suicídio, segundo dados oficiais das Organização das Nações Unidas e da OMS. A região do Mediterrâneo Oriental tem a taxa mais baixa de suicídio em relação a outras regiões do Mediterrâneo. A grande maioria de indivíduos que cometem suicídio (10.203), se encontra entre o gênero masculino e essa a tendência se repete em nível mundial. A África, Europa e Sudeste Asiático têm taxas de suicídio acima da média mundial de 10,5 por 100.000 habitantes segundo os números publicados.
A taxa de homens que tiram a própria vida é quase o dobro em relação aos gênero feminino, são: 13,7% por 100.000 indivíduos homens contra 7,5% por 100.000 mulheres, os únicos países onde a incidência de mortes de mulheres por motivo de suicídio é maior que o de homens, estão situados na faixa do Mediterrâneo que apesar de ter a incidência mais baixa de números de suicídio em toda a Ásia, porém amarga a maior taxa de suicídios entre as mulheres no pais, na faixa de números se encontra o Marrocos, Oriente Médio, e no Oriente, precisamente em lugares como China, Índia, Bangladesh, onde a taxa de mortes de mulheres, por diversos motivos é ainda muito grande em relação aos homens comparado com o resto do mundo.
Na Europa em função das fortes campanhas de prevenção e ação dos órgãos sociais e de saúde que se mobilizaram ativamente nesses últimos 5 anos entre os países da União Europeia, felizmente teve resultados e tem se observado uma queda no número de morte causada por suicídio, e as taxas porcentuais de ocorrência tem caído consideravelmente nos últimos anos. O que não vemos nas Américas que tristemente vem seguindo um caminho inverso, pois tem-se observado um aumento de 6% nos casos nos últimos 4 anos.


ENTENDENDO A DEPRESSÃO.

Como disse o filósofo grego, Epiteto (80 d.C.) - “Não são os acontecimentos que perturba o ser humano, mas sim como estes os enxergam. ”, não são os fatos e as experiências em si que causam as reações emocionais traumáticas ou perturbadoras, cada indivíduo as vê de uma certa forma particular, devido a sua personalidade e constituição intima emocional, as reações emocionais vem de acordo com as convicções pessoais, segundo o Psicanalista e Dr. Albert Ellis (1913-2007) de acordo com ele, as convicções racionais produzem resultados emocionais saudáveis, nos anos 60 outro pesquisador Aaron Beck afirmou algo semelhante, Beck declara que a depressão é causada por opiniões fantasiosas e negativa sobre os fatos préconceituando-os e problematizando e tornando-os obstáculos antes mesmo de analisa-los racionalmente.    
Mas as pessoas geralmente não entendem dinâmica do depressivo, criticam, aconselham arrogantemente, humilham e distorcem seus sentimentos deixando-os de lado ou rotulando como - “caso perdido”, não entendem, são apáticos em relação a dor do outro até que se tornem a delas próprias. E citando Beck (1960) - portanto corrigindo as crenças equivocadas, podemos minimizar as reações exageradas.
Existem várias questões envolvendo o desenvolvimento ou agravo da depressão como doença ou como um sintoma grave de uma doença primaria, e um deles é o Bullying, esse fato comportamental desagradável e agressivo, piora toda a situação de alguém com problemas dentro do círculo da depressão, pois o jovem na escola ou o colega do emprego, todos, sejam adultos ou jovens nessas condições, sofrem as dores emocionais internas e a intensa sensação angustiante de se sentir inútil, desvalorizado, se acha um problema para todo mundo, é triste e sem esperança, considera-se indigno de ter amigos, sente-se frustrado o tempo todo por não ter poder para superar tudo isso, e ainda por cima tem que lidar com os abusos, chacotas, e torturas de pessoas desagradáveis sem noção racional de limites ou dos prejuízos que podem causar ou são desagradáveis o suficiente para não se importar e com isso sentir prazer em fazer sofrer, nem é preciso dizer que também a possibilidade desse indivíduo ser  portador de uma doença psicológica é bem grande. 
Então se nos adultos já causa uma desmotivação e um sofrimento emocional, trazendo danos ao psicológico, com os jovens fica ainda pior, por que existe a existência da imaturidade, e como é um indivíduo em desenvolvimento, a falta de racionalidade sadia e a maturidade biológica o torna aberto em desenvolver transtornos psicológicos diversos, no caso, serão produto de fatos negativos e traumáticos. A maioria dos jovens são impulsivos e inclinados a ceder apenas ao prazer emocional, além de serem propícios a irracionalidade e falta de bom senso, de si próprio e a complacência e indulgencia dos responsáveis que deviam por limites a ações impróprias, mas por ignorância ou negligência, permite tais atitudes negativas, e prolifera-se a incidência de agressões físicas, humilhações públicas, e torturas diárias, e vai além em alguns casos, a violência se estende até em casa, no seio familiar, ande deveria ser um porto seguro, é só mais um outro lugar de dor e sofrimento, e sabemos que a violência familiar é uma realidade frustrante e difícil de erradicar, que atinge tanto a classe baixa quanto a média e alta, com maior incidência entre a faixa de baixa renda da sociedade.
Esse quadro projetivo culmina no desenvolvimento de serias complicação no estado mental da vítima. Pois existem duas saídas com consequências avassaladoras para a vítima de Bullying que é levada ao extremo do seu emocional, o indivíduo é acometido por estresse e extrema pressão, o mesmo é envolvido então por delírios e se perde dentro de seus pensamentos distorcidos e acelerados, contempla esses delírios e os recebe como verdadeiros e reais, e como resultado desse barril de pólvora o indivíduo explode (metaforicamente falando), causando então um turbilhão de danos e duas vertentes de ações, o se machuca e termina sua vida ou em outro cenário mais trágico ainda ele atenta contra a vida de outros causando a morte de inocentes.
Iniciando-se em um tipo de tristeza patológica, para um depressivo os pensamentos e as crenças limitantes ser tornaram hábito, e isso vai evoluindo chegando ao seu extremo, o indivíduo perde seu senso de realidade, de reflexão e racionalidade, o que lhe tinha tanta graça e era prazeroso antes, agora não tem mais sentido, a vida perde o brilho, a graça e a cor, nada mais importa, no seu entendimento deformado da realidade a sua volta. E as pessoas para ele não se importam (mesmo quando se importam), não existe ninguém que pode ajudar (mesmo que saibam que existe), o indivíduo não quer saber de ajuda pois estes se sentem tão desmerecidos dessa ajuda mas que não conseguem aceitar, ou fantasiam que as pessoas são interesseiras e não querem ajudar se não ganharem alguma coisa, enfim são tantos pensamentos distorcidos e fantasias que o sujeito se fecha mais ainda em sua concha e se isola, então a dor emocional é intensa, precisa acabar com ela e o único modo é matar a dor, acabar com tudo, então procuram uma forma de sair do mundo e fugir de tudo isso, para essa pessoa enfrentar e aprender a conviver com a dor não é um caminho possível. As causas são diversas, vão desde doenças mentais e físicas como os diversos tipos de Câncer principalmente, tanto quando são terminais, quanto os que estão em tratamento (o que é dolorido, as quimioterapias causam desconforto e debilidades cognitivas e físicas) também com relação as deformidades congênitas, ou p. exp., doenças como a Aids, e outra doenças degenerativas e debilitantes, e outras formas de depressão e tristeza patológica, e causas químicas, como a dependência compulsiva ao consumo de drogas por exemplo, o álcool principalmente (por conter em sua composição elemento químicos que deprime o sistema nervoso).
Outros casos psicológicos ligados a sentimentos se tornam estressantes são: sentimento de extremo abandono, indiferenças, exílio, medo extremo sem causas aparente e justificada, dependências afetivas, términos de relacionamentos e vítimas de violência física intensas e recorrentes.

BIBLIOGRAFIA UTILIZADA:

BECKER, Daniel. O que é adolescência. São Paulo: Brasiliense, 2003.


CUKIER, Rosa. Psicodrama Bipessoal: Sua técnica, seu terapeuta, seu paciente. Editora: Agora. Ed.4ª. São Paulo, 1992.

DALGALARRONDO, Paulo. PSICOPATOLOGIA E SEMIOLOGIA DOS TRANSTORNOS
MENTAIS. 2ª ed. ArtMed. Porto Alegre, 2008.

FRANKL, Viktor E. Em busca de sentido. Editora: Vozes. Ed.42ª. Petrópolis - Rio de Janeiro - 2008.

ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DE SAÚDE. Classificação de Transtornos Mentais e de Comportamento da CID-10: Descrições Clínicas e Diretrizes Diagnósticas –Coord. Organização Mundial da Saúde. Porto Alegre: Artes Médicas, 1997

PINHEIRO, Ângela F. Santiago. Técnicas e Dinâmicas de Trabalho em grupo. Editora: Montes Claros – Instituto Federal Norte de Minas. Minas Gerais, 2014. 

ROGERS, Carl. Tornar-se pessoa. Editora: Martins Fontes; Ed.6ª. São Paulo – 2009.

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